Perigos do fumo passivo

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) lançou portal com informações sobre o fumo passivo e o desenvolvimento de tumores malignos, bandeira do governo do estado para banir o uso de cigarro nos ambientes públicos e privados de São Paulo. O portal traz estudos nacionais e internacionais que contabilizam os impactos da aspiração de fumaça alheia, entre eles o de que o fumo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, superada apenas pelo tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool. Site www.icesp.org.br

Anti-abortistas voltam a matar nos EUA

Semanas após o apelo do presidente americano, Barack Obama, ao diálogo civilizado no debate sobre o direito ao aborto, o médico George Tiller foi assassinado a tiros (31/5) no Kansas. Ele fazia abortos de gestantes em risco — nos EUA, o aborto é permitido. Um dos primeiros suspeitos foi o ativista anti-aborto Randall Terry, que tratava Tiller de “assassino em massa” — ecoando Bill O’Reilly, do canal ultraconservador Fox News, que o chamava de “Tiller the Baby Killer” (matador de bebês). As pesquisas mostram os EUA divididos sobre esse direito, embora estreita maioria o aprove. Pesquisa da CNN em maio mostrou que 7 em 10 pessoas (68%) querem que a Suprema Corte mantenha a decisão do caso Roe vs. Wade (leis contra o aborto ferem o direito à privacidade e ao uso do próprio corpo). Os movimentos sociais se queixam: Obama demora a cumprir promessas de campanha não só sobre restrições do direito ao aborto, mas ao casamento gay, à presença de homossexuais nas Forças Armadas e à entrada de pessoas com HIV nos EUA. Fonte: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/83/sumula.html

A situação dos cuidados paliativosno Brasil, pelo Ministro da Saúde

A Revista Meaning, edição 04, n.02, trouxe como matéria de capa uma entrevista com o Exmo. Ministro da Saúde: José Gomes Temporão. Com 57 anos, médico, sanitarista, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Especialista em doenças infecciosas e tropicais, Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fio Cruz e Doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o ministro abordou alguns pontos cruciais para a Política de Controle da Dor, de Administração de Medicamentos Opióides e de Cuidados Paliativos. Foram tratadas muitas questões importantes, tais como "Quais as providências que estão sendo tomadas para que os cuidados paliativos tornem-se uma realidade no país?", ao que Sua Excia respondeu: "O SUS contempla a estruturação e o funcionamento de serviços para cuidados paliativos. E ainda há melhorias que pretendemos implementar para o aprimoramento dos serviços, seja com ações para difundir o conhecimento nessa área, seja na qualificação da assistência ou na educação continuada para os profissionais, sempre de acordo com os princípios da integralidade e da humanização. Atualmente, o Ministério da Saúde trabalha na elaboração de diretrizes nacionais para controle da dor e cuidados paliativos, a fim de que sejam incorporados na atenção básica e especializada". A entrevista completa pode ser acessada pelo link: www.paliativo.org.br/pdf/entrevista_ministro_da_saude.pdf

cinema e cuidados paliativos

Programação Preliminar -Ciclo de Cinema e Reflexão Os organizadores do II Ciclo de Cinema e Reflexão – Aprender a Viver/Aprender a Morrer divulgaram a programação preliminar. O evento, que acontecerá na Cinemateca Brasileira em São Paulo entre os dias 10 e 13de setembro, tem como organizadores a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, o Hospital Premier, o Instituto Paliar e o Oboré Comunicação e Artes. Confira a progração preliminar em: www.paliativo.org.br

A Gripe e a Mistanásia (Erasmo Ruiz)

Nos últimos meses temos sido alvos, dia após dia, de reportagens falando sobre a gripe mexicana, digo suína, digo H1N1. A primeira dificuldade parece ter sido esta mesma. Definir nomes para algo que nos causa medo e prejuízos econômicos. A ética do “politicamente correto” identificou desde o início que o rótulo “mexicana” discriminava nossos irmãos latino-americanos do norte e que chamar a gripe de “suína” poderia colocar em risco bilhões de dólares do comércio de derivados de porco ou questionar a forma como, em muitos países, essa indústria cresce sem o mínimo controle sanitário. A gripe então tornou-se uma placa de automóvel: “H1N1”. E junto a esta placa veio o medo de que nada poderia deter essa nova praga. As populações de classe média dos grandes centros urbanos não tem mais estrutura simbólica para lidar com grandes epidemias, afinal, as principais conquistas tecnológicas da saúde parecem estar mais disponíveis a ela e aos mais ricos. Disso talvez resulte o pânico que presenciamos nos últimos dias e que tenderá a aumentar significativamente. Não adianta ter um bom plano de saúde, ter água encanada, morar num seguro condomínio num bom bairro e assinar o “Discovery Health” pela TV a cabo. O insidioso H1N1 está a espreita ao dobrarmos a esquina ou num singelo beijo num sábado a noite. O problema é não haver pânico para a dengue, à meningite, à doença de Chagas, à tuberculose ou à mortalidade infantil. Isso mesmo! Todas essas doenças produzem uma letalidade muito maior mas guardam uma característica importante: não são "democráticas", atingem mais os pobres e miseráveis. Foram normalizadas como fatalidade ou desígnios da vontade de Deus. Não são inspiradoras para roteiros de novas teorias da conspiração nem motivam a indústria farmacêutica a buscar novas drogas miraculosas. Ha alguns anos foi cunhado o termo “Mistanásia” por Leornardo Martin, uma expressão técnica que traduz algo que já sabemos há muito tempo: os pobres morrem de doenças mais específicas da pobreza e a miséria, é séria candidata a morrer daquilo que a maioria poderia cuidar com o mínimo de suporte (as diarréias infantis prevenidas pelo soro caseiro é um dos exemplos). A mistanásia é a eutanásia social que não causa alarde. Se exterioriza nas balas que matam os mais jovens, na desnutrição que se não matar na infância faz chegar doenças da velhice mais cedo, na morte lenta e cruel nas cracolândias, na agonia de populações ainda marginais às políticas sociais conmpensatórias. Quando a gripe H1N1 chegar para valer, será nesse meio que ela colherá a maior parte do seu macabro tributo. Mas, ainda assim, o H1N1 vem nos lembrar que embora a gripe possa matar mais em meio a miséria, ela não será indiferente aos ricos, suplantando portanto os “comportados” limites da Mistanásia. Juntando-se a isso os ingredientes de uma mídia covarde e subserviente, sempre pronta a atender aos interesses mais hediondos de seus patrocinadores, temos o terreno perfeito para que tanto pobres quanto ricos sejam enganados pelos interesses maiores das corporações de doença, digo, de saúde. A H1N1, que mata tanto quanto a gripe comum, precisa agora de uma vacina para que todos possam se abraçar durante a missa ou trocar beijos com desconhecidos numa festa. E que continue morrendo aos montes aqueles que não tem esgoto, água encanada, aqueles que moram em casebres de barro e tem a “sorte” de nascerem miseráveis. Mas não se preocupem. Como aconteceu na Argentina, em breve teremos máscaras cirúrgicas com emblemas do nosso time de futrebol predileto. Quem sabe algum cientista consiga inventar uma boa camisinha para o beijo? E quem disse que os vírus não podem ser mercantilzados? Para breve a promessa de cura da gripe que um dia vai entrar em mutação. Teremos uma nova gripe espanhola? Perdão aos espanhóis...teremos um novo número para apostar na loteria?

Luto entre animais não humanos (Ayala Gurgel)

Pode ser mera interpretação, mas a sequência de fotos está associada a registros de luto entre animais não humanos, uma evidência que muitos especistas tentam negar. A andorinha que estava em uma condição de voo desfavorável foi colhida por um carro. Agora ela se encontra ferida, no chão, sem possibilidades de voar e, provavelmente, sentindo dores: A sua companheira percebe a sua condição e se aproxima com alimento, o que entre os animais é um gesto universal daquilo que, nós humanos, chamamos de afeto: Tendo repetido algumas vezes esse mesmo gesto, ela se deparou com uma andorinha que não respondia mais aos seus estímulos. Em linguagem humana, digamos que ela ficou em estado de choque, o que fê-la produzir esforços físicos tentando mover a companheira moribunda: Ela parece não aceitar a perda da companheira, especialmente da forma trágica como ocorreu: A percepção da morte da companheira, contrariando toda tradição especista, provoca dores e ela "chora tristemente" a sua perda: Finalmente, consciente de que ela não retornaria jamais, permaneceu ao lado de seu corpo com tristeza, vivenciando o seu luto: As fotos são indicativos de que o especismo está errado. Os animais não humanos têm percepção da morte e emitem comportamentos de luto, tal como os humanos. Em alguns casos, esse luto é bastante complicado, mostrando comportamentos de fuga e esquiva bastante difícil de ser reprogramado. Acredito, portanto, que entender as formas de luto entre animais pode nos ajudar a compreender nossos próprios processos, sem precisar a recorrer aos recursos mágicos...