Artista plástico alemão quer exibir um moribundo num museu


BERLIM, 21 Abr 2008 (AFP) - Gregor Schneider, um dos artistas plásticos alemães mais em voga no momento, causou polêmica nesta segunda-feira em se país ao querer expor um moribundo em um museu, quebrando assim um dos últimos tabus sociais. "A morte e o caminho para a morte são infelizmente, hoje em dia, um sofrimento", afirma o artista de 39 anos em uma entrevista ao jornal Die Welt em sua edição on-line. Schneider, que pulou para a fama em 2001 quando obteve o Leão de Ouro da Bienal de Arte de Veneza, defende sua ideia de expor uma pessoa a ponto de morrer de forma natural ou então uma pessoa que acabe de falecer. O artista explicou que está em busca de uma pessoa que dê seu consentimento para ser expostas nestas condições. Sua intenção é expor o moribundo no museu Haus Lange de Krefeld (oeste). "A morte é, efetivamente, um tabu em nossa sociedade", enfatizou Hans-Heinrich Grosse-Brockhoff, secretário de Estado da Cultura da região da Renânia do Norte-Westfália, onde se encontra o museu. "Mas isso é motivo para se expor uma morte de verdade?", questionou a autoridade. Na verdade, o artista plástico está procurando um paciente terminal para participar de uma instalação na qual o doente morreria na galeria de arte. Segundo Schneider, o doente passaria suas últimas horas de vida em uma galeria, no centro de uma instalação aberta ao público. De acordo com ele, todo o processo artístico seria preparado com o consentimento do paciente e de seus familiares, que poderiam determinar como o moribundo seria apresentado. Ele argumenta que tornar a morte pública pode servir para diminuir o medo das pessoas sobre o momento da morte. O artista afirma que a instalação apresentaria a morte de uma maneira respeitosa e humana, e com um mínimo de privacidade – o doente ficaria em um espaço fechado com acesso controlado. "Essa ideia já me persegue há mais de dez anos", disse o artista em uma entrevista à imprensa alemã. Polêmica A idéia de Schneider gerou polêmica na Alemanha. Segundo Schneider, ele teria recebido ameaças de morte depois de tornar sua idéia pública. Políticos de partidos de esquerda e de direita criticaram o projeto dizendo que se trata de um "abuso da liberdade artística". Silvia Loehrmann, deputada do partido verde no estado da Renânia do Norte-Vestfália, local onde Schneider quer expor sua obra, disse que não pode imaginar que pessoas queiram ver um moribundo "como vêem animais em um zoológico". Caso consiga realizar a instalação, esta não será a primeira vez que a morte seria tema de uma obra de Gregor Schneider. Ele já produziu uma instalação onde uma mulher morta era representada por um boneco e também já encenou sua própria morte, além de ter produzido esculturas relacionadas com o tema.

4 comentários:

Anônimo disse...

Parece-me muito chocante tratar a morte como "arte". Outros eventos naturais do ciclo vital, caso fossem expostos, provavlemnte causassem o mesmo impacto. Parece-me uma espetacularização onde o espatáculo não cabe.

Elba Gomide Mochel

Anônimo disse...

Olá, Elba
Sou de pleno acordo. Mesmo que ele apregoe contra a interdição da morte, esse tipo de atitude parece ir ao encontro da espetacularização da morte, na qual essa é apresentada de forma escancarada.
Esse tipo de postura não nos aproxima da nossa morte em nossa banalidade, que é o mais importante.
Ayala Gurgel

Erasmo Ruiz disse...

Vale lembrar Gorer. Mais do que nunca amorte parece ser uma "pornografia". dai a necessidade de apresenta-la de forma explícita para atrair e chocar aqueles que estão oprimidos pelo tabu.

carpinteirodouniverso disse...

quem seria o artista, o que teve a ideia ou o moribundo? se considerarmos que a morte é do moribundo, os momentos finais expostos são dele e o serão como criação original o que teve a ideia não teria como se meter e decidir sobre a obra em si.

mas acho errado o fato de alguem ganhar fama e dinheiro as custas da morte de outro. para mim ele só poderia se considerar realmente o artista caso expusesse assim sua própria morte, aí acredito que seria uma experiencia bacana.