O Convívio com a Morte no Exercício Profissional (Erasmo Ruiz)


O texto aqui apresentado é um resumo da exposição feita no 9o Congresso Brasileiro de Dor, realizado em Fortaleza entre 6 e 9 de outubro de 2010, durante o Simpósio Satélite de Cuidados Paliativos. A apresentação no formato "power point" pode ser vista acima.



Começamos nossa exposição convidando os presntes a refletirem sobre os dados da pesquisa da Revista "The Economist" sobre o índice de qualidade de morte onde o Brasil ocupava o 38o lugar, a frente apenas de Uganda e Índia. Concluimos que isso acontecia porque no Brasil se morria mau, principalmente pela forma que os pacientes moribundos eram assisitidos em correlação com a usência de uma rede efetiva de cuidados paliativos. Dados recentes sianlizam que o Brasil teria algo em tornod e 355 leitos para cuidados paliativos, número este claramente insuficiente.

Assim, parece que nosso convívio com a morte é caracterizado por comportamentos que afirmam sua negação, o que leva os pacientes a serem cuidados de forma inadequada. A consequência disso é a amplificação do sofrimento de pacientes e faamiliares bem como o desgaste físico e emocional dos profissionais de saúde. Foi enfatizado que isso não se dá necessariamnre porque as pessoas sejam perversas, muito pelo contrário.

Os profissionais aprendem a lidar com a morte apenas a partir da significação da dor de experiências negativas. No início de suas carreiras, ao estabelecerem vínculos afetivos com os pacientes, acabam perdendo muitos deles, um após o outro. Aqui utilizamos a metáforo da adolescente que vai perdendo seus parceiros afetivos. Com o passar do tempo não conseguirá mais estabelecer vinculações emocionais onde haja maior envolvimento por conta do medo da perda que fatalmente ocorrerá novamente.

Há que se buscar então uma nova forma de se lidar com a morte que se afaste de representações negativas de cunho belicista ("luta contra a morte", "enfrentamento da morte", "combate cintra a morte") por outras que vejam a morte como um aspecto da existência humana que devemos entender para produzirmos saúde e vida. As metáforas de "enfrentamento" são altamente frustrantes na medida em que nos coloca num falso jogo competitivo onde sempre perderemos a luta.

Na sua parte final a exposição avança para maneiras como abordar a problemática da morte nos serviços destacando para as necessidades de se mudar a ambiência da morte (necrotérios humanizados que permitam ambiente adequado e a realização de pre-velório), legitimação dos comportamentos de luto (crítica sobre a medicalização da dor e do sofrimento decorrentes das perdas já que estas expressões seriam naturais e não propriamente "doenças") e busca de alternativas para que os "ruídos" no entorno da morte possam ser trabalhados de maneira adequada no espaço institucional (formação de rodas de discussão onde os trabalhadores possam falar sobre o próprio sofrimento decocrrente da perda de pacientes bem como buscar soluções para tornar o trabalho no entorno da morte mais humanizado, construindo modificações na forma como é realizado).

Encerrando, buscamos enfatizar que em termos da vulnerabildiade e do sofrimento não existem diferenças entre pacientes e nós no papel de cuidadores. Ao mesmo tempo em que buscamos construir nossa felicidade, somos seres que também temos que aprender a lidar com perdas e com nossas vulnerabilidades. Essa problmemática é fundamental para todos os trabalhadores de saúde mas tem sua marca mais evidente no trabalhador médico que pode ser vítima do seu próprio narcisismo ao ser responsabilizado pela manutenção do bem mais importante para qualquer ser humano: a vida!. Ainda assim, acreditar ser um "super-herói" não muda a realidade de que os "herois" sofrem, envelhecem e morrem.

Um comentário:

Alguém na Multidão disse...

Assisti a essa palestra no INSANE, curso promovido pelo PET da UFC. Adorei a abordagem feita pelo sr. e sai de lá refletindo bem sobre o tema. Parabéns!