Epitáfio: Você já Pensou no Seu? (Erasmo Ruiz)



Epitáfios são pequenos textos escritos nos túmulos.A palavra deriva do grego sendo que "epi" designa "acima" ou "parte superior" e "tafos" que quer dizer "túmulo".


Durante muitos séculos foi costume o uso destes texto que poderiam exprimir em síntese o que havia sido a vida do morto. Em algumas situações derivava diretamente de sua vontade mas,na maioria das vezes era uma frase escrita sem consulta ao morador do túmulo.

Como nos ensina Norbert Elias "a Morte é um Problema dos Vivos". Assim, os textos dos epitáfios exprimem muito mais os sentimentos que os vivos tem da morte e do morto, desejos de afirmação da memória que possam suplantar a vida de quem morreu e manter relativamente incólume sua identidade. Além disso, sua marcante ausência nos dias de hoje sinaliza certa necessidade coletiva que afirma uma "arte de fugir da morte" o que implica numa tentativa de "assassinar" a memória do morto como recurso de interdição da morte mesmo nos espaços que a afirmem..

É muito difícil que a nossa vontade transcenda a  própria vida. Aliás, já é um exercício exaustivo exerce-la enquanto vivemos. Depois da morte dependemos dos vivos para que a vontade tenha ainda algum poder. Assim, o epitáfio pode ser um elemento decisivo para afirmar desejos de individualidades. Mas pobre do indivíduo quando sua vida é também determinante de um coletivo infinitamente maior do que ele.

Tomemos o exemplo de Tancredo Neves, quase presidente do Brasil. Em algumas entrevistas, sempre com muito  bom humor, Tancredo falava sobre seu epitáfio, que seria mais ou menos assim: "Aqui Jaz Muito a Contragosto  Tancredo de Almeida Neves". Quando ele morre, sua família correu para na verdade afirmar a identidade de homem público e, dessa forma temos sem "seu" epitáfio o seguinte: "Terra minha amada, tu terás os meus ossos o que será a última identificação do meu ser com este rincão abençoado."




Outras vezes, fica a homenagem a obra do artista, como ocorre com Cazua. Um das suas mais famosas músicas dá a idéia de que o tempo simbolizaria uma forma de eternidade, um ciclo que sempre retorna reafirmando o novo com base no antigo. No seu túmulo encontramos então que "O Tempo Nâo Para"


O estudo dos epitáfios pode ser uma boa fonte para analisarmos o que cada época parece pensar de si mesma ao buscar elaborar a morte com base numa diversidade de sentidos que acaba por se entrelaçarem. Mas encerro meu post por aqui pensando no meu epitáfio que poderá ser mais ou menos o seguinte: "Quem sabe tenha descoberto, ou não, o grande mistério da vida. Para mim isso não importa mais. Mas para você que está lendo essa mensagem tenho um conselho. VIVA A VIDA INTENSAMENTE. O resto é conversa mole"!

E você caro leitor, já pensou no seu epitáfio?

2 comentários:

Forasteira disse...

Meu epitáfio, "...".
Concordo com o conselho, curta a vida...carpen die

Ayala Gurgel disse...

O meu:
Enfim, sós